NOSSA SENHORA DO NILO – filme de Atiq Rahimi

Partindo das experiências pessoais da escritora tutsi Scholastique Mukasonga, NOSSA SENHORA DO NILO, dirigido por Atiq Rahimi, traz como cenário principal a escola que dá nome ao filme, um colégio interno católico situado no alto de uma colina para meninas da elite ruandense. Vivendo isoladas do mundo, pouco sabem o que está acontecendo em seu país, até que a realidade bate à porta. O longa chega aos cinemas em 05 de janeiro de 2022, com distribuição da Pandora Filmes. No Brasil, o livro foi lançado pela editora Nós.

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NOSSA SENHORA DO NILO

O afegão Rahimi, que assina o roteiro com Ramata-Toulaye Sy, trabalha pela primeira vez com um material que não é seu – ele tem em seu currículo filmes como “A pedra da paciência”. NOSSA SENHORA DO NILO foi premiado no Festival de Berlim de 2020 com o Urso de Cristal da mostra Generation 14plus.

O diretor conta que conhecia pouco sobre Ruanda antes de realizar o longa. “Sabia sobre o genocídio de 1994, uma tragédia que, na minha mente, é como o fratricídio que aconteceu em meu país e começou dois anos antes. Nos dois casos, começou como uma questão política, e, depois, se tornou problemas étnicos, de raça e até de religião.”

Rahimi, que também é escritor, conheceu Mukasonga num evento literário em 2008, e leu Nossa Senhora do Nilo assim que foi originalmente publicado, em 2012, e gostou muito, mas nem desconfiava que pouco tempo depois mergulharia no universo do romance para realizar um filme.

Na obra e em Ruanda, o cineasta conta que encontrou algo que o fascina tanto como diretor de cinema e escritor: a relação entre a violência e o sagrado. “Tanto Ruanda quanto o Afeganistão, nos anos de 1970, estão sob um regime totalitário. Não são as pessoas que decidem o sistema político, mas uma elite e os tecnocratas. O genocídio de 1994 não aconteceu de repente, mas suas origens estão em 1959, quando a monarquia foi deposta, e depois em 1973 com a perseguição às elites e aos intelectuais.

Com dificuldade de encontrar jovens atrizes em Ruanda para fazer o filme, o diretor criou um workshop em Kigali, e rodou o longa no distrito Rutsiro, numa escola católica que ainda mantém alguns edifícios antigos. “Fica no alto das montanhas, e é difícil de se alcançar, mas quando você chega no topo, e vê aquela igreja é impressionante.

Mukasonga conta que seu romance nasceu de um desejo de abordar o tema da discriminação, e a personagem Virginia, no livro e no filme, é baseada em suas experiências. “Mesmo que eu não estivesse completamente ciente disso… Eu me voltei à ficção para colocar alguma distância entre os acontecimentos e eu mesma, do contrário seria muito destrutivo. Mas durante a escrita a realidade acabou se impondo. De uma forma ou de outra, eu tinha que contar essa história.”

Ela também conta que a escolha de Rahimi para dirigir o filme foi perfeita. “Ele é afegão, eu, ruandense, temos muito em comum. Eu também acompanhei cada passo do filme, li diversas versões do roteiro. O que era mais importante para mim, é que fosse filmado em Ruanda, no mesmo contexto do romance.”

A revista Variety aponta que NOSSA SENHORA DO NILO é uma antecipação iluminadora de uma tragédia, uma história fielmente adaptada de um romance essencial.” “É uma história que deixa uma impressão profunda, e Rahimi filma de maneira sensível”, escreve o The Hollywood Reporter

NOSSA SENHORA DO NILO será lançado no Brasil pela Pandora Filmes.

Sinopse

Ruanda, 1973. Nossa Senhora do Nilo é um conceituado colégio interno católico situado no alto de uma colina, onde garotas são preparadas para pertencer à elite ruandense. Com a proximidade da formatura, essas meninas, sejam elas hutu ou tutsi, compartilham o mesmo dormitório e dividem sonhos e preocupações. Mas em todo o país, assim como dentro da escola, antagonismos profundos ecoam, mudando a vida dessas jovens — e de toda a nação — para sempre. Imagens de um simbolismo profundo fazem alusão à violência genocida que em 1994 tomaria conta de todo o país.

Ficha Técnica

Direção: Atiq Rahimi

Roteiro: Atiq Rahimi e Ramata-Toulaye Sy, baseado no livro homônimo de Scholastique Mukasonga

Produção:  Charlotte Casiraghi, Marie Legrand, Rani Massalha, Dimitri Rassam

Elenco: Santa Amanda Mugabekazi, Albina Sydney Kirenga, Angel Uwamahoro, Clariella Bizimana, Belinda Rubango Simbi, Pascal Greggory

Direção de Fotografia: Thierry Arbogast

Desenho de Produção: Françoise Joset

Montagem: Hervé de Luze

Gênero: drama, histórico

País: França, Bélgica, Ruanda, Mônaco

Ano: 2021

Duração: 93 min.



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