As Mentiras de Bolsonaro no Dia da Mentira: Réu por Golpismo Reafirma Fake News

Em entrevista após ser acusado no STF, Bolsonaro repete desinformações sobre eleições, Forças Armadas e ataques de 8 de janeiro
Se existe uma data que combina com Jair Bolsonaro (PL), é o 1º de abril, conhecido como Dia da Mentira. Agora réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe, o ex-presidente voltou a recorrer à sua velha estratégia: espalhar fake news e distorcer os fatos.
Horas depois da Primeira Turma do STF aceitar a denúncia contra ele, Bolsonaro concedeu uma entrevista coletiva onde “reciclou” mentiras antigas sobre as eleições, o papel das Forças Armadas e os ataques terroristas de 8 de janeiro.
A estratégia não é nova: segundo o monitoramento do Aos Fatos, Bolsonaro já espalhou mais de 350 fake news apenas sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Mentiras sobre as eleições e “censura” ao bolsonarismo
Bolsonaro insistiu na narrativa de que tentou aprovar o voto impresso para garantir a transparência eleitoral, afirmando que a contagem dos votos não seria pública. No entanto, desde 1996, nunca houve prova de fraude nas urnas eletrônicas, que são auditáveis e passam por diversos testes de segurança.
Outro argumento repetido pelo ex-presidente foi o de que o TSE interferiu nas eleições de 2022 ao impedir a divulgação de vídeos críticos a Lula (PT) e ao supostamente “censurar” a direita. Porém, omitindo um detalhe crucial, Bolsonaro esqueceu de mencionar que sua própria campanha solicitou a remoção de sete conteúdos de adversários, sendo atendida em seis deles.
Além disso, seu governo foi acusado de utilizar a estrutura do Ministério da Justiça para influenciar o segundo turno, com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) dificultando o acesso de eleitores petistas aos locais de votação.
Pressão nas Forças Armadas: Bolsonaro mentiu sobre articulação golpista?
Na entrevista, o ex-presidente negou ter pressionado os militares a participarem de um golpe, dizendo que apenas discutiu “hipóteses”. No entanto, as investigações da Polícia Federal mostram outra realidade: altos comandantes das Forças Armadas afirmaram que Bolsonaro os sondou sobre a possibilidade de um golpe.
O ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, foi citado como um dos únicos favoráveis à ideia, enquanto o Exército e a Aeronáutica rejeitaram qualquer envolvimento.
Os ataques de 8 de janeiro e o arsenal dos terroristas
Outro ponto controverso foi a reação de Bolsonaro aos ataques de 8 de janeiro, nos quais golpistas depredaram as sedes dos Três Poderes. O ex-presidente negou que manifestantes estivessem armados, mas relatórios da CPMI do 8 de Janeiro desmentem essa versão.
As investigações mostraram que os invasores portavam granadas, coquetéis molotov, barras de ferro e pedaços de madeira, além de utilizarem extintores de incêndio e cadeiras como armas. O grupo ainda roubou armas do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Mentiras sobre o urânio e a China
O ex-presidente também acusou Lula de entregar urânio brasileiro para a China. Não há qualquer acordo sobre isso, e a declaração distorce um fato real: a venda da Mineração Taboca S.A. ao grupo chinês Nonferrous Trade Co., que foi uma transação privada sem envolvimento direto do governo.
Bolsonaro e a suposta “pressa” do STF
Outro ponto levantado pelo ex-presidente foi a alegação de que o STF estaria “acelerando” seu julgamento. De acordo com Bolsonaro, seu processo estaria tramitando “14 vezes mais rápido que o do Mensalão” e “10 vezes mais rápido que o de Lula na Lava Jato”.
Porém, os números do próprio STF revelam que o processo contra Bolsonaro teve uma tramitação mais lenta que a média. Enquanto casos semelhantes levaram cerca de 368 dias para chegar à aceitação da denúncia, o de Bolsonaro demorou 464 dias.
Conclusão: Dia da Mentira virou rotina para Bolsonaro
Bolsonaro aproveitou o Dia da Mentira para espalhar desinformação e tentar se livrar das acusações que agora pesam contra ele. No entanto, os fatos não mentem: a Justiça o colocou no banco dos réus por tentativa de golpe de Estado, e as evidências acumuladas contra ele só crescem.
Agora, resta saber se seus seguidores continuarão acreditando cegamente nas suas narrativas ou se finalmente perceberão que foram vítimas da maior fake news de todas: a honestidade de Bolsonaro.
Reply